Comunidade reclama de exibicionismo de alguns travestis nas avenidas de SL

Entidades de homossexuais consideram que atitude reforça homofobia.

TERESA DIAS

O Imparcial

A cena é comum: no cair da madrugada, certas vias públicas da capital tornam-se vitrines em que travestis prostitutas despem-se e agem de modo provocante, em busca de clientes. Na mercantilização do corpo, tantas vezes encarada como relação de fato meramente comercial, a travesti acumula em si três funções: vendedora, meio de propaganda e produto. O comportamento ousado, entretanto, tem sido alvo de cada vez mais protestos e motiva agora ação da Secretaria de Segurança para coibir o exibicionismo. Na Avenida São Luís Rei de França, um dos mais famosos pontos, às 22h30 já é possível vê-las esperando por clientes nas esquinas. Porém, pelo horário cedo e o grande movimento, nenhuma se arrisca ainda a mostrar mais do que as roupas sensuais deixam entrever. A travesti Beatriz era uma das que já estavam ali. Trajando um curto vestido vermelho, ela defendeu a classe dizendo que apenas a minoria opta pelo exibicionismo excessivo. “Quem tira a roupa quer aparecer, mas acaba perdendo a noção do ridículo”. Segundo ela, este tipo de comportamento, por vezes, causa profunda irritação nos passantes. “Alguns saem gritando e xingando, e sobra até para as que estão vestidas. Eu não ligo, fico na minha”. Aos 23 anos, Beatriz trabalha como garota de programa há três e atende no local há um. Mais adiante na Avenida, outra travesti apostava em modelo mais provocante, de minissaia e sutiã. Alegou usar roupas reduzidas para sobressair-se e atrair clientes, o que segundo ela, acaba funcionando. No mesmo grupo em que se encontrava, uma colega dizia que, apesar disso, ficar completamente sem roupa era “indecente” e que já tinha ouvido muitos homens afirmarem que não gostavam de travestis que tinham tal atitude. Algumas horas mais tarde, porém, o cenário fica diferente. Se antes a postura é mais comedida, com a chegada da madrugada, por volta das 2h30, a maioria expõe os corpos deliberadamente, ficando somente de calcinha e com os seios de fora. Nenhuma declarou estar sabendo dos planos da Secretaria de Segurança. Sérgio Henrique Santos é dono de um bar próximo a um dos mais conhecidos pontos de prostituição da capital, na esquina do antigo Cine Roxy, no Centro. O mesmo grupo de travestis fica de domingo a domingo ali, e é comum deparar-se com elas em trajes mínimos. Ele conta que a vizinhança mantém uma relação de respeito e impessoalidade, mas que vários bêbados passam e as hostilizam, o que provoca a reação delas e causa confusão na rua.


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