'Estamos caluniados', afirma Romero Jucá sobre políticos citados em delações

Um dos políticos com mais inquéritos na Lava Jato, líder do governo deu declaração à CBN. Ele comentou denúncias e disse que, por R$ 150 mil, não se vende MP 'nem na Feira do Paraguai'.

G1

14/04/2017 06:17:10

Um dos políticos com mais inquéritos na Lava Jato (5), o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou nesta sexta-feira (14) ao programa "Moreno no Rádio", da rádio CBN, que os depoimentos prestados pelos ex-executivos da Odebrecht nos acordos de delação premiada podem ser "ficções" e acrescentou: "Estamos caluniados".

Jucá ainda comentou as denúncias de que pediu à Odebrecht R$ 150 mil para a campanha do filho dele, Rodrigo Jucá, em 2014 em troca de apresentar emendas à Medida Provisória 651/14 sugeridas pela empreiteira. "[Por] R$ 150 mil não se vende medida provisória nem na Feira do Paraguai", disse (leia detalhes mais abaixo).

O senador foi nomeado ministro do Planejamento pelo presidente Michel Temer em maio do ano passado, mas, duas semanas depois de assumir o cargo, pediu demissão da pasta após ter uma conversa divulgada na qual ele sugeriu um "pacto" para barrar a Lava Jato.

"Hoje, eu defendo a Lava Jato porque a Lava Jato, investigada rapidamente, é a única forma de desfazer a calúnia reinante sobre a maioria da classe política, pois todos nós estamos caluniados, todos nós estamos prejulgados. Então, a única forma de dizer que isso [o conteúdo das delações] não é verdade é investigar. Porque, se parar a investigação, isso se torna uma verdade. Então, eu defendo a investigação", disse o senador.

Em outro trecho, o aliado do presidente Michel Temer acrescentou: "A gente não conhece as delações ainda. As delações, pelo que eu vi até agora, não vieram seguidas de prova. Então, são delações e muitas vezes podem ser, em vez de delações premiadas, ficções premiadas para alguém ir pra casa."

'Feira do Paraguai'

Ainda na entrevista à rádio CNB nesta sexta, Romero Jucá falou sobre o inquérito aberto com autorização do Supremo Tribunal Federal, a pedido da Procuradoria Geral da República, sobre uma suposta atuação do senador para garantir recursos para campanha do filho dele, Rodrigo Jucá, em 2014.

Segundo o inquérito, Romero Jucá teria recebido notas técnicas do grupo Odebrecht e as transformou em emendas incluídas na Medida Provisória 651/14. Em troca, Jucá pediu que fossem repassados R$ 150 mil em doação a Rodrigo, à época, candidato a vice-governador de Roraima.

"A questão de medidas provisórias, que é uma acusação ridícula, eu solicitei apoio ao partido e recebi lá para a eleição de 2016 [2014] através da Odebrecht, R$ 150 mil pra campanha do PMDB, que meu filho era candidato a vice-governador", disse Jucá.

"Esses R$ 150 mil que entraram foram gastos na campanha, não foram gastos pelo candidato Rodrigo Jucá, meu filho, porque ele era vice-governador. [...] Me desculpe a piada que eu vou fazer, mas vou dizer a você o seguinte: não tem sentido alguém pensar que vai se vender aqui uma medida provisória por R$ 150 mil. R$ 150 mil não se vende medida provisória nem na Feira do Paraguai. É uma piada dizer um negócio desses e sabendo da relação que eu tenho com a classe econômica do Brasil", completou o líder do governo no Senado.



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