Sem votos para aprovar PEC, Temer diz que reforma da Previdência 'não é muito ampla'

Diante da resistência da base, presidente disse que priorizará idade mínima e equiparação entre sistema público e privado. Para Rodrigo Maia, governo está 'muito longe' dos votos para aprovar PEC.

Por Alessandra Modzeleski, G1, Brasília

G1

21/11/2017 03:28:47
Michel Temer discursa no evento de lançamento do pacote de serviços digitais sobre emprego (Foto: Marcos Corrêa, Previdência)

Michel Temer discursa no evento de lançamento do pacote de serviços digitais sobre emprego (Foto: Marcos Corrêa, Previdência)

Com dificuldades para obter os 308 votos necessários para alterar as regras previdenciárias, o presidente Michel Temer afirmou nesta terça-feira (21), ao discursar em um evento no Palácio do Planalto, que a reforma da Previdência Social "não é muito ampla".

Nas últimas semanas, diante da advertência de aliados de que o texto aprovado pela comissão especial da reforma da Previdência não seria aprovado, o governo federal começou a articular, em conjunto com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), uma versão mais enxuta da proposta que altera as regras previdenciárias.

No discurso desta terça, o presidente da República ressaltou que, entre as poucas alterações nas regras atuais, a reforma irá estabelecer uma idade mínima de aposentadoria: 65 anos para homens e 62 anos para mulheres.

Ele também destacou que a nova versão da reforma irá equiparar o sistema público e privado de Previdência.

"Quando os senhores verificarem na televisão, uma certa publicidade, não se trata disso, trata-se de esclarecimento. As manifestações equivocadas quanto à reforma têm sido muito amplas. O que temos feito é dizer: olha, vamos fazer uma reforma que vai trazer vantagens para a Previdência Social, mas ela não é muito ampla. Temos o limite de idade e vamos equiparar o sistema público e privado", discursou Temer no evento de lançamento de um pacote de serviços digitais do governo com serviços sobre emprego.

"Temos que esclarecer o que precisamos fazer para podermos sobreviver nos próximos anos. Se não fizemos a reforma da Previdência, podemos entrar em climas de países da europa que deixaram para muito tarde [as reformas previdenciárias] e quando tiveram que fazer tiveram que cortar 40% das aposentadorias", complementou o presidente.

Há a expectativa de que o novo texto da reforma seja entregue nesta quarta-feira (21) pelo relator da PEC, deputado Arthur Maia (PPS-BA). Com a apresentação da nova versão, a Câmara deve correr para aprovar a reforma até meados de dezembro. De qualquer forma, a votação da proposta no Senado ficará somente para 2018, no retorno do recesso parlamentar.

Além de desidratar o texto da reforma, Temer passou a negociar com líderes da base aliada mudanças no primeiro escalão para atender às reivindicações do "Centrão" por mais espaço na Esplanada dos Ministérios.

O principal alvo da cobiça dos parlamentares do "Centrão" é a cota do ministérios do PSDB, partido que comanda quatro pastas, mas não tem mais garantido apoio ao governo Temer.

 

'Muito longe' dos 308 votos

 

Um dos principais aliados de Temer na mobilização política para aprovar a reforma da Previdência, o presidente da Câmara admitiu nesta terça-feira, em uma entrevista para a rádio CBN, que o governo está "muito longe" de ter os 308 votosnecessários na Casa para aprovar as mudanças na Constituição.

Rodrigo Maia foi questionado sobre as negociações em torno da proposta, que foram retomadas com mais intensidade nas últimas semanas. Para o deputado do DEM, o tema foi "demonizado" nos últimos meses, o que, segundo ele, dificulta a compreensão dos deputados sobre a importância da reforma.

"Está muito longe dos 308 [votos]. Com todo desgaste, a reforma foi demonizada, hoje nós estamos muito longe. Nada que a gente não consiga resolver se ajustarmos a comunicação junto com os deputados e explicar quais são impactos da reforma", reconheceu Maia.

 

'Dados positivos'

 

Em meio ao discurso na solenidade desta terça no Planalto, Michel Temer aproveitou para exaltar índices econômicos que apontam uma retomada do crescimento.

Segundo ele, o governo trabalhou durante oito meses "para sair de uma terrível recessão" e "começar a produzir dados positivos".

Pedindo aplausos da plateia, o presidente ressaltou a queda dos juros, da inflação e do desemprego.

 

"A gente tem feito um trabalho excelente, com nosso ministério todo. Nós temos feito um trabalho muito harmônico, conjugado. Não há divergências no nosso ministério e isso tem permitido dados positivos", declarou.



notícias | vídeos | cobertura | quem somos |

Júpiter Telecomunicações © (Copyright 1997-2017) Todos os direitos reservados
Imperatriz / MA - Rua Simplício Moreira 1485, Centro
Fone/Fax: (99) 3529-3131 - E-mail: sac@jupiter.com.br
Produced by Rafael Correia Paz

E-mail: sac@jupiter.com.br
Cnpj: 01.625.636/0001-91