O ataque a Romero Jucá

A expressão "estancar a sangria" fez do senador por Roraima um símbolo da impunidade

Helio Gurovitz

g1

01/12/2017 08:15:07
Romero Jucá (PMDB-RR) concede entrevista no salão azul do Senado (Foto: Gustavo Garcia, G1)

Romero Jucá (PMDB-RR) concede entrevista no salão azul do Senado (Foto: Gustavo Garcia, G1)

"E aí senador, o senhor conseguiu estancar a sangria?”. Com frases nesse tom, a assistente social Rúbia Sagaz, 33 anos, abordou ontem o senador Romero Jucá num voo entre Brasília e São Paulo.

Jamais serão esquecidas as palavras “estancar a sangria”, usadas por Jucá diante do gravador escondido do delator e ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. Para quem não lembra, eis a transcrição do diálogo (aqui, o áudio):

 

  • Jucá - Tem que resolver essa porra... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.
  • [...]
  • Machado - Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].
  • Jucá - Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. 'Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.
  • Machado - É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.
  • Jucá - Com o Supremo, com tudo.
  • Machado - Com tudo, aí parava tudo.
  • Jucá - É. Delimitava onde está, pronto.

 

O ministro Edson Fachin arquivou o inquérito, derivado da delação de Machado, em que Jucá, José Sarney e Renan Calheiros eram investigados por tentar obstruir a Justiça. Não havia outras provas além do diálogo. Mas as palavras de Jucá o transformaram em símbolo.

Ele se tornou a maior expressão da impunidade no Brasil. Entrou para aquela classe de políticos – encabeçada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – que simplesmente não podem entrar num avião de carreira, sob risco de ser xingados e enxovalhados.

Em compensação, até agora, nem Jucá nem nenhum dos acusados da Lava Jato que desfrutam a prerrogativa de ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) foi condenado por nada.

Além de ter sido citado na delação premiada de Machado, o empreiteiro Ricardo Pessôa afirmou ter repassado a Jucá R$ 1,5 milhão em propina na forma de doação eleitoral. O ex-executivo Cláudio Mello Filho afirmou em sua delação que Jucá comandava uma “intensa agenda legislativa” em favor da Odebrecht. O delator da Operação Zelotes João Gruginski contou que, num pagamento relativo a medidas provisórias do interesse de montadoras, Jucá recebera R$ 15 milhões em propinas.



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