Bodyboarder brasileiro pega paredão de 14m em Jaws e diz: "Muito medo"

Magno de Oliveira Passos, de 31 anos, entra para a história da modalidade ao encarar as temidas ondas do Havaí apenas na remada: "Toda a ilha se moveu para Jaws"

Thierry Gozzer

GloboEsporte.com

18/01/2016 11:06:26

O bodyboarder brasileiro Magno de Oliveira Passos entrou para a história da modalidade no último fim de semana. O capixaba de 31 anos encarou os paredões de Jaws, no Havaí, em um dos maiores swells dos últimos anos, apenas na remada. Ao lado de outros surfistas e do também bodyboarder do Espírito Santo Lucas Caiado, Magno remou para dropar uma onda de 14 metros, considerada por muitos especialistas havaianos como a maior já surfada de bodyboard no mundo sem a ajuda de um jet-ski. O feito foi comentado por toda a comunidade do surfe mundial. No mesmo dia em que Maguinho mostrou coragem, nomes como Kelly Slater, John John Florence e big riders de reconhecimento internacional como o brasileiro Felipe "Gordo" Cesarano também estavam em Jaws.

As ondas de Jaws são temidas em todo o mundo. Além de gigante, fica isolada e rodeada por pedras. A correnteza também é fortíssima. A onda quebra na Ilha de Maui, no Havaí, e surfistas brincam que uma vaca em Jaws é como "cair numa máquina de lavar gigante" tamanho o volume de água. Magno explica que sentiu muito medo ao chegar no canal de Jaws, mas ao receber a notícia do patrocinador de que haveria um swell gigante não conseguiu ficar apenas observando. Para se ter uma ideia do poder da onda do local, a velocidade de entrada na onda pode chegar a 70km/h.

- Quando cheguei, parecia o Maracanã. Toda a ilha se moveu para Jaws, tinha gente de todo o mundo, o Kelly Slater, o John John surfou um dia depois. Teve o Pedro Calado , o "Gordo". Cheguei e já fui entrando na água. E foi perfeito. Naquele momento, tinha apenas uns quatro havaianos, então deu para se posicionar bem, esperar a onda certa. Estava com muito medo, muito. Na verdade, quando falei com o Lucas Caiado, eu disse que não sabia se ia pegar as ondas, mas queria ir para o canal. Só de ver aquelas ondas é uma vitória. É um fenômeno da natureza, muito perfeito. Vi que fiquei muito embaixo do lip. Se tivesse um segundo atrasado, a onda podia partir em cima do meu joelho, das minhas costas, e me machucar muito - explica Magno Passos.

O feito de Magno não teve ajuda de nenhuma estrutura. Eram apenas ele e sua prancha. O bodyboarder não contava sequer com um colete salva-vidas que poderia levá-lo de volta para a superfície caso fosse sugado por Jaws. Além disso, ele perdeu um dos pés de pato ao entrar na onda. Por isso, acabou terminando a onda com apenas um e não se arriscou de tentar outro paredão, o que para ele, seria impossível na remada. A falta de vento, contudo, ajudou, pois para o bodyboard a prática fica praticamente impossível com condições de vento forte.

- Eu não usei nem colete nesse dia. Não tenho. Todo o surfista que estava lá tinha o colete inflável para te levar para a superfície caso a onda te jogue para baixo. Quero me especializar mais nesse tipo de esporte. Não tinha nenhum jet-ski me esperando. Fui na coragem, na vontade, na fé. O cara do surfe tem uma prancha de dez pés, 15 pés, ele dá duas remadas e me passa. Eu tenho que dar dez para me movimentar a mesma distância que ele. Isso já te tira muito gás. Além disso, para surfar uma onda dessas eu preciso ficar uns dez metros de distância deles, para baixo. Surfar Jaws de bodyboard é único. A minha prancha tem 105cm, os caras surfam com uma prancha de quase cinco metros. Olha a diferença. Ainda não temos material no bodyboard para esse tipo de prática - garante Maguinho.

Passos correu o Circuito Mundial de Bodyboard nos últimos anos, mas em 2015 desistiu de participar da temporada. Ele mudou-se para a Ilha de Maui em 31 de dezembro de 2014 ao lado da esposa e dos filhos. No fim de 2015, teve aprovado seu green card e agora tem um sonho. Quer se especializar no que seria uma nova modalidade. O bodyboard nas ondas gigantes.

- Vim morar em Maui desistindo da carreira de bodyboard, desistindo de ser profissional, do Circuito Mundial. Não competi esse ano. Apliquei o green card, consegui. Nossa família tem permanência garantida. Mudei o foco da minha vida, mas algumas coisas acontecem que não dá para entender direito. É gratificante ver meu nome rodar o mundo. O bodyboard é muito discriminado, a gente as vezes tem que engolir sapo para provar que temos condições de fazer coisas que os surfistas também podem fazer. O reconhecimento da comunidade do bodyboard também. Sinto o orgulho de cada um que vê essa foto. Fico muito feliz de ver isso. É até difícil não pensar em tentar patrocínios para surfar esse tipo de onda. Mas estando tão perto de Jaws, quem sabe não consigo me especializar. A prancha que uso é a mesma do dia a dia de treinos em ondas normais. Imagina conseguir viver desse bodyboard de ondas gigantes? Uma nova era para o esporte, uma nova modalidade - diz o capixaba.



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