Familiares e amigos de adolescente morto ao reagir a assalto protestam contra violência

Guilherme tinha 15 anos e queria começar a trabalhar para ajudar os pais Foto: Reprodução

Ricardo Rigel

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13/07/2017 08:02:57

Familiares e amigos do estudante Guilherme Anselmo Alves Tranquilino, de 15 anos, morto ao reagir a um assalto, na manhã desta quarta-feira, em Água Santa, fazem um protesto no bairro da Zona Norte do Rio, pedindo paz e justiça. O jovem estava num ponto de ônibus na Rua da Pátria, a caminho da escola, quando dois homens numa moto anunciaram um assalto. Ele se recusou a entregar o celular e um dos bandidos atirou. O adolescente morreu no local. A Delegacia de Homicídios da Capital (DH) investiga o caso, mas, até o momento, ninguém foi preso.

Segundo familiares da vítima, essa era a terceira vez em um ano que o garoto sofria um assalto no mesmo local.

A tia do menino, Paloma da Rocha, de 37 anos, disse que o ato é “a única forma que a família encontrou para desabafar sobre a violência que tomou conta do estado”:

— Meu sobrinho era um adolescente muito querido tanto pelos amigos do colégio quanto pelos familiares. Ele tinha muita vontade de começar a trabalhar para ajudar em casa. O pai é ajudante de pedreiro e a mãe, empregada doméstica — contou, acrecentando que Guilherme fazia um curso de informática e sonhava em ser motociclista.

Tio de Guilherme, João Tranquilino foi um dos primeiros a chegar ao local do crime e acompanhou o pai da vítima, Carlos Anselmo, até o Instituto Médico Legal, no Centro, para a liberação do corpo.

— É assalto toda hora naquela área. A gente sai de casa e não tem esperança de voltar. Só Deus na causa. O Rio de Janeiro está jogado às baratas. Esses políticos tinham que sentir na pele o que a população sente. Eles têm que ver o sofrimento da população, enxergar o que se passa nas ruas. Meu sobrinho era tudo para mim. Quero ir embora desse Rio de Janeiro — disse João.

Segundo o tio do menino, esta é a primeira vez que a família perde um parente de forma tão violenta.

— A família está como? É até complicado de falar. Não tem como descrever — disse ele.

A mãe de Guilherme, Gilvanete Alves, ao ver o corpo do filho, se jogou em cima dele, em desespero. Ela ficou abraçada ao menino e se recusava a largá-lo. A mulher acabou passando mal e teve que ser amparada por amigos e parentes.

Por meio de nota, a Delegacia de Homicídios da Capital (DH) informou que investiga a morte de Guilherme e que uma perícia foi realizada no local. “Policiais da unidade realizam diligências para apurar as circunstâncias do caso, bem como para identificar e localizar os criminosos”, afirmou a nota.

A Polícia Militar informou que uma equipe do batalhão do Méier foi acionada. “Segundo o 3ºBPM (Méier), na manhã desta quarta-feira, o batalhão foi acionado para ocorrência em rua no bairro de Água Santa. No local, foi encontrada vítima de disparo de arma de fogo já em óbito.

Sobre a morte de Guilherme, a Secretaria municipal de Assistência Social e Direitos Humanos divulgou uma nota. Veja a íntegra do texto:

"A secretária municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, Teresa Bergher, terá um encontro com o secretário de segurança pública, Roberto Sá, na próxima semana, para discutir formas de minimizar as consequências para a população do enfrentamento entre as forças de segurança e os criminosos. 'Não podemos mais tolerar crianças morrendo todos os dias. Acho que está na hora de rever o modelo de segurança pública concentrado nas áreas de grande circulação de pessoas inocentes. Quantas crianças ainda vão ter que morrer para que o poder público assuma o seu papel?'. Teresa Bergher deu todo o apoio à familía do adolescente Guilherme Alves Ancelmo, assassinado nesta quarta-feira, durante um assalto. A secretaria auxiliou na liberação da documentação para o enterro e para que a prefeitura agilizasse o pagamento do sepultamento. Há uma verba da prefeitura destinada a funerais de pessoas em situação de vulnerabilidade social. Uma equipe da SMASDH acompanhou a família no IML e acionou a Defensoria Pública. O CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) vai atender a mãe e o irmão da vítima e encaminhá-los a atendimento psico-social e incluir o pai da criança, que está desempregado, no cadastro do Bolsa Família".



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