Legado? Pan do Rio-2007 completa 10 anos, com descaso e problemas nas instalações

Placar do Miécimo da Silva ainda mantém adesivo do Pan-2007. Cabos foram roubados Foto: Alexandre Cassiano / O Globo

Marjoriê Cristine

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13/07/2017 08:05:32

No placar do Ginásio Algodão, a marca ainda está lá. O adesivo com a logomarca do Pan que, na época, era sinal de esperança. Hoje, desbotado e imperceptível, é só a marca da desilusão e da crise no Rio. Uma situação deplorável que, dez anos da abertura completados hoje, afeta instalações esportivas, atletas, patrocínios. O esporte na terra dos Jogos Pan-Americanos de 2007 virou um pesadelo.

Entre as 16 instalações utilizadas nos Jogos, há uma década, está o Centro Esportivo Miécimo da Silva, em Campo Grande. Maior complexo esportivo administrado por um município na América Latina, com 64 mil metros quadrados, o local está em uma situação precária. No Pan, o local foi palco de quatro modalidades: caratê, patinação artística, squash e futebol.

Deteriorada, com enormes buracos e pedras que soltam a cada passada, a pista de atletismo é pior que o asfalto remendado das ruas. Em contrataste ao visível problema estão as arquibancadas recém pintadas, o que não acontecia desde 2007.

— Eu moro na região há 30 anos. O estado da pista é deplorável. Esse descaso que revolta — diz o militar Luiz da Silva, sem perceber qualquer legado para a região uma década depois.

Dez anos do Pan do Rio-2007: descaso e problemas nas instalações. Veja

A pista rodeia o campo que foi utilizado pelo futebol feminino em 2007. Um gramado que há menos de um ano parecia um matagal e chegou a ser arrancado com as mãos pelos professores. Agora está aparado, demarcado e tem sido utilizado para ligas locais e futebol, como o Campeonato de Campo Grande.

Os refletores não funcionam: os cabos foram roubados há dez anos, após o Pan, assim como o placar eletrônico dentro do ginásio. Nada nunca foi consertado. O piso do ginásio tem buracos e faltam vários bancos nas arquibancadas. Há ainda problemas nas quadras de handebol, futsal e basquete, que receberam paliativos como pintura e remendos.

— Eu assumi aqui há um ano. Peguei quase dez anos de abandono, sem reformas, sem manutenção desde o Pan — afirma o gerente do complexo, Thiago Barros. — Não temos verba. Sem as OSs (Organizações Sociais), não temos como bancar R$ 2 milhões para fazer uma pista nova. Por isso, precisamos de apoio.

Durante os dez anos, três diferentes Organizações Sociais administraram o local e receberam R$ 63 milhões ao todo para investir e manter o local. Mas nada foi feito.

Em dez anos, três OSs administraram o Miécimo, recebendo quase R$ 63 milhões para investir e manter o local. Mas nada foi feito.

— Temos potencial. Falta vontade, falta fiscalização, falta os gestores terem a consciência que o esporte é o futuro do país — diz Barros.

Abandono

Das 16 instalações utilizadas no Pan, nove viraram locais de competições na Rio-2016, como o Parque Olímpico, o complexo do Maracanã — com exceção da piscina do Julio Delamare —, Engenhão, Riocentro e complexo de Deodoro. De resto, uma instalação virou a Vila Olímpica dos Atletas; quatro foram apenas emprestadas e uma desapareceu por completo. O Morro do Outeiro, na Zona Oeste, foi tomado pelo mato.

No local onde aconteceram as competições de ciclismo BMX e estrada, o que se vê é apenas um enorme canteiro de obras com uma placa da prefeitura e muita vegetação.

Na pista, aberta em meio à mata, pegadas de cavalo, depósito de canos de esgoto, alguns até enferrujados, e restos de construções. De tão deserto, muitas pessoas transitam livremente de um lado para outro, sem serem interceptadas. O lugar, antes do esporte, hoje é utilizado até por usuários de drogas.

A Secretaria de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação do Rio informou que a área foi utilizada pela Cedae para a construção de um reservatório de água.



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