A agenda nada ecumênica de Crivella: sete vezes em que as figuras de bispo e prefeito se misturaram

Crivella Foto: Custódio Coimbra / 27.07.2017 / Agência O Globo

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11/08/2017 08:09:06

Apesar de Crivella ter se apresentado na campanha eleitoral como bispo licenciado, não foram poucos os momentos em que a agenda religiosa de pastor da Igreja Universal se confundiu com a de prefeito do Rio. O EXTRA lista alguns exemplos:

1 - Em novembro, no primeiro dia da transição, Crivella deixou a Firjan, local das reuniões, no início da tarde. Foi à Catedral da Fé, templo da Igreja Universal do Reino de Deus, mostrar a maquete de Jerusalém Antiga para o presidente da Agência Judaica para Israel, o ucraniano Natan Sharansky.

2 - Em vez de se concentrar nos trabalhos de transição, Crivella viajou para Israel, onde rezou no Muro das Lamentações. Lá também se encontrou com o prefeito de Jerusalém, que dias antes havia recebido o tio dele, Bispo Edir Macedo.

3 - Crivella se recusou a entregar as chaves da cidade para o Rei Momo e nem sequer apareceu na Sapucaí na festa mais importante da cidade.

4 - Em uma viagem oficial à Rússia, encontrou-se com o representante local da Igreja Universal do Reino de Deus.

5 - Crivella acompanhou um evento da Universal no Méier com a presença do Bispo Macedo. Era em comemoração aos 40 anos da igreja. Por conta disso, atrasou em mais de uma hora a chegada a um compromisso oficial na Rocinha.

6 — Numa viagem particular à África do Sul, participou de um evento da Igreja Universal num estádio de futebol.

7 — O prefeito (ou bispo) foi ao Senado cantar “Perfume Universal” numa sessão comemorativa aos 40 anos de fundação da Igreja Universal.

Discurso religioso na Guarda

Nas reuniões de trabalho, orações. Agentes da corporação afirmaram, ontem, ao EXTRA que o comando tem adotado discurso religioso na Guarda Municipal. As reclamações surgem após o polêmico censo da fé aplicado aos funcionários. Em nota, a assessoria do prefeito Marcelo Crivella disse que o censo partiu do comando da Guarda, “sem que o prefeito fosse informado ou dela participasse”, e que a prefeitura não tem religião (confira a íntegra da nota abaixo). Não é o que contam servidores.

— A gente tem visto é um discurso cada vez mais religioso da nossa comandante (Tatiana Mendes, que é evangélica). Ela fala, por exemplo, que nossa maior arma é a palavra de Deus. Sou evangélico, mas não concordo em misturar religião com assuntos da Guarda — disse o agente de 33 anos, que preferiu não se identificar.

Outro guarda que está no posto há seis anos disse que na segunda-feira sua chefia passou o questionário para que todos respondessem antes de ir para seus postos:

— Coloquei só que era cristã, e um chefe perguntou: “Mas qual denominação você frequenta”. Eu disse que não responderia e perguntei de quem era essa ideia, e ele respondeu: “Veio de cima”.

O censo também foi criticado por ter oferecido só três opções de religião (católica, evangélica e espírita) e “outros”. A Guarda Municipal informou que não tinha como colocar todas as religiões no formulário e que o objetivo da pesquisa é construir uma capela ecumênica.

Na tarde da última quinta-feira, a juíza Ana Cecilia de Almeida, 6ª Vara de Fazenda Pública, deu cinco dias para a prefeitura se explicar sobre o censo. A decisão foi tomada em pedido de liminar para suspender a pesquisa feito pelo advogado Victor Travancas. O Ministério Público declarou que vai investigar o caso.

Segundo a Guarda, o censo foi feito porque o órgão pretende criar um serviço ecumênico de capelania. O órgão afirma vai manter o censo e retirar do formulário a obrigatoriedade de preencher o nome.

Nota do prefeito

“A Prefeitura esclarece que não procede a informação de que o censo que está sendo realizado pela Guarda Municipal tenha o objetivo de constranger seguidores de qualquer crença. A iniciativa em curso partiu do comando da própria Guarda, sem que o prefeito fosse informado ou dela participasse. Tem por objetivo obter informações que embasem o projeto de uma capelania destinada a prestar assistência religiosa a todos os integrantes da corporação. Além disso, o preenchimento do formulário é voluntário. Vale lembrar que a comandante da corporação tem entre seus principais assessores diretos praticantes do Catolicismo e da Umbanda. O prefeito não esconde sua fé, mas a Prefeitura não tem religião. Ilações como as feitas ontem pelo Extra em sua primeira página, na visão da Prefeitura, reforçam o preconceito religioso”, informou a prefeitura.



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