Gripe Joesley derruba cariocas; número de casos graves já é 28% maior que em 2015

Em idosos, a gripe pode levar a complicações com mais frequência Foto: AFP

Flávia Junqueira

extra

13/07/2017 08:09:31

Olhos avermelhados, nariz entupido, espirros e muita dor no corpo. Foi só a temperatura cair para consultórios médicos, postos de saúde e emergências serem tomados por pacientes com sintomas de gripe e resfriado. A virose já ganhou até nome em função de deixar de cama suas vítimas. Na boca do povo, a gripe Joesley tem derrubado muita gente. O apelido se refere ao sócio da empresa J&F e autor da delação que gerou abertura de inquérito contra o presidente Michel Temer.

O número de pessoas atingidas nos seis primeiros meses deste ano pela síndrome respiratória aguda grave (SRAG), que são casos mais graves de gripe e precisam ser notificados obrigatoriamente à Secretaria municipal de Saúde, já é 28% maior do que o registrado no mesmo período de 2015. Mas ainda está longe do registrado no primeiro semestre do ano passado, quando casos de gripe H1N1 assustaram os cariocas, com a confirmação de uma morte por complicações da doença, enquanto São Paulo já vivia um surto.

Segundo a Secretaria municipal de Saúde do Rio, do começo do ano até junho, foram notificados 278 casos de síndrome respiratória aguda grave. Nesse mesmo período de 2016, 697 casos já haviam sido registrados. E em 2015, o município fechou o mês de junho com 216 casos. A gripe comum não é uma doença com notificação obrigatória

Este ano, sobrou vacina nos postos

Mas, se em 2016, em função do aumento de casos de H1N1, houve uma corrida aos postos de saúde pela vacina, este ano, a procura foi bem menor, levando o Ministério da Saúde a liberar a vacinação mesmo para pessoas que não eram do grupo prioritário. No ano passado, a Secretaria municipal de Saúde superou a meta da campanha, imunizando 88,3% da população-alvo — idosos a partir de 60 anos, crianças de 6 meses a 5 anos incompletos (até 4 anos, 11 meses e 29 dias), gestantes, mulheres até 45 dias após o parto (puérperas), doentes crônicos e profissionais de saúde, totalizando mais de 1,6 milhão de pessoas. Este ano, 76,5% do grupo prioritário foram vacinados e, após a imunização ser liberada para a população em geral, mais de 1,7 milhão de doses foram aplicadas.

— É fundamental que idosos, pessoa com doenças respiratórias crônicas e imunodeprimidas se vacinem contra a gripe todos os anos. Nas últimas semanas, mais de 60% dos pacientes que atendi no consultório apresentavam quadros gripais e de infecção respiratória. Isso é comum nesta época do ano, em função das mudanças de temperatura e de as pessoas frequentarem mais ambientes fechados — diz o pneumologista Ricardo Meirelles.

Vacina não causa a doença

O médico ressalta que a vacina contra o vírus influenza não causa gripe:

— Alguns pacientes chegam ao consultório relatando que ficaram gripadas após tomar a vacina. É importante esclarecer que a vacina não causa gripe nem protege contra todos os tipos de vírus da gripe, mas apenas contra os três mais frequentes. Além disso, pode se tratar de um resfriado e, nesse caso, o vírus não é o influenza — afirma Meirelles, acrescentando que essas viroses também podem abrir caminho para infecções secundárias, causadas por bactérias. — Isso é mais comum em idosos e pacientes com doenças respiratórias crônicas. Daí a importância da vacinação, reduzindo a possibilidade de complicações.

O pneumologista alerta também sobre a automedicação, já que a gripe, na maioria dos casos, tem uma evolução benigna.

— Na maioria dos casos, a gripe é autolimitada. O indivíduo fica curado usando medicamentos apenas para aliviar os sintomas da doença. Não se trata gripe com antibiótico. E se a pessoa achar que não está melhorando, deve procurar um médico. Gripe se trata com ingestão de líquido, remédios para aliviar a febre e a dor no corpo e repouso — conclui Meirelles.



noticias | vídeos | cobertura | velocímetro | quem somos |

SL3 Telecom© (Copyright 1997-2017) Todos os direitos reservados
São Luís / MA - Rua 14, Quadra 13, Casa 10, Vinhais
Fone/Fax: (98) 3235-6604 - E-mail: sac@sl3.com.br
Produced by Rafael Correia Paz | Márcio da Luz Sousa | Rafael Freitas